A reencarnação tem como meta prioritária o desenvolvimento da inteligência, através da conquista do conhecimento, e a sublimação dos sentimentos, por meio das realizações do amor

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VIVER POR VIVER

Do compilador: O autor espiritual comenta a situação no Plano Espiritual do espírito de uma mulher, cujo marido (muito devedor espiritualmente) havia desencarnado. Tece comentários do destino cruel, embora passageiro, dos maldosos da Terra após a morte, assim como, de críticas aos mandatários cristãos que no passado fecharam os olhos para a escravidão e desmandos dos donos do poder, beneficiando-se, inclusive, com essa "selvageria".

     A Senhora duquesa, compungida, acompanhava o esposo desde a sua desencarnação, orando por ele e ensejando-lhe a relativa paz que podem fruir aqueles que não foram além da craveira da vida comum, e que viveram retirando da vida somente os favores, sem a lembrança de multiplicar as bênçãos que a existência oferece e se encontram ao alcance de todas as mãos.

     Viver por viver é fenômeno da imposição orgânica, da função vegetativa. Ao homem, dotado, como se encontra, da capacidade de raciocinar e crer, discernir e pensar na direção do bem, os impositivos da construção são impostergáveis.

     Diante da massa de sofredores e aflitos, que enxameiam em toda parte, o apelo do serviço nobre se faz indefectível. No entanto, as religiões ditas cristãs, do passado, permitindo a dolorosa “exploração do homem pelo homem”, e cultivando-a mesmo até à exorbitância, mediante o braço escravo, favorecendo a escravidão humana e dela se beneficiando, são, em verdade, as grandes responsáveis pela desagregação moral e pela ignorância que se estribava na selvageria dos princípios vigentes, em que aos nobres se facultavam as práticas de todas as misérias morais, facilmente perdoadas a peso de ouro. Isentados do trabalho, que lhes seria vergonhoso, dedicavam-se os da nobreza ao cultivo da frivolidade e da rapina, mantendo tais religiões a fé nos espíritos à força das armas ou à força do fanatismo, do terror, enclausurando Deus sob suas abóbadas e absides, em nepotismos violentos e demorados, de cujos efeitos ainda hoje sofre a Humanidade... Todos os erros e crimes podiam ser resgatados pelo ouro ou abonados mediante a confissão auricular, em doblez de comportamento ante os mesmos erros perpetrados pelos pobres e infelizes da Terra – aqueles para os quais viera Jesus...

     A ascensão é sempre trabalho individual, de sacrifício, de incomparável renúncia, que todos nos devemos impor. Embora o auxílio que recebemos da Vida, o esforço nos pertence e não o podemos transferir. A plântula, atraída pelo sol e sustentada pela terra fértil, faz-se majestosa árvore milímetro a milímetro, sofrendo as intempéries e os insetos, os animais e os ventos, até atingir a própria grandeza. Assim também o espírito humano.

     Para a esposa afervorada, as dores supremas do idolatrado eram-lhe, igualmente, dores insuportáveis. Somente o refúgio na oração e a certeza de que Deus a tudo provê lhe davam suficientes forças e energia para continuar ao seu lado, sem descoroçoamento, evitando que ele fosse arrastado pelas hordas dos Espíritos odientos, que pululam sempre em redor dos incautos, em colônias infernais, nas quais os suplícios infligidos superam todo o romantismo trágico das lendas...

     Nem Homero, nem Virgílio, nem Dante conseguiriam, com todo o estilo imponente de inspirados, traduzir os sofrimentos íntimos dos desgraçados que caem nessas regiões, em que a consciência se transforma no látego da justiça e da verdade... Nem o Letes, nem o Estige, nem o Tártaro, nem o “lago de fogo e enxofre” do Apocalipse, nem aqueles vermes a que se refere Isaías, “formigam eternamente sobre os cadáveres do Tofel”...

     Santa Teresa vislumbrou-lhes os pórticos, nos transes memoráveis, na sua cela de Ávila...

     As lendas narram os suplícios individuais no “rochedo de Sífiso”, no “tonel das Danaides” e na “roda de Íxion”... naquelas regiões em que os infelizes se chafurdam e se rebolcam, gemem sem consolo e padecem sem esperança, por longo tempo... e não dizem tudo. (Espírito Victor Hugo – Obra: Párias em Redenção – Médium: Divaldo P. Franco).                      INÍCIO

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AS  ALMAS  SEMPRE  SE  ENCONTRAM,  AO  LONGO  DO  CAMINHO  DO  DESTINO