Cristo no lago da Galiléia - Pintura de Rembrandt - Cópia de www.wikipedia.org/

 

O ÓDIO

     O ódio é semente de destruição, que ressuda tóxico corrosivo a aniquilar interiormente. Aqueles que são alcançados pelas suas nefandas e morbíficas destilações de tal forma se impregnam que somente o mergulho em novas formas carnais consegue diminuir a mortífera emanação. Desenvolvido no homem, por processo de educação deficitária, desde a mais tenra infância, na qual se injetam os germes do egoísmo, da prepotência, da vaidade, muito facilmente medrarão os princípios da ira, que se transforma em rancor, logo tenham desconsiderados seus propósitos inferiores. Em toda parte, os sêmens do ódio se encontram latentes, considerando-se que na Terra, ainda, a força do instinto predomina sobre as manifestações da inteligência e do sentimento, numa conspiração formal contra a evolução do ser e sua consequente libertação das amarras primitivas.

     Enquanto predomina a natureza animal, em detrimento da natureza espiritual, o homem se aventura na posse indébita dos valores transitórios e promove a guerra, exteriorizando os princípios selvagens que ainda vigem no seu ser. A impiedade se manifesta desde cedo, nele, mediante a indiferença pela dor do próximo e, se por acaso é convocado à justiça para selecionar os criminosos, em defesa dos cidadãos probos e corretos, aplica a lei não como corretivo e processo de reeducação, porém, na forma de punição e vingança, como se a Justiça fosse exclusivamente cirurgiã e não processo retificador de educação e disciplina, em que o amor deve preponderar. A violência medra porque há clima propício para a rebeldia e o ódio se instala porque encontra reciprocidade na atmosfera moral das criaturas. Quantas vezes, ante as calamidades, as tragédias ou as injustiças de que alguns são alvo, cidadãos pacatos se rebelam, dando vazão a sentimentos que já não se aceitam sequer nos bárbaros?! Quantas pessoas de siso e educação se revelam vândalos, desde que estejam a sós ou se acumpliciem em malta, instigados por nonadas que lhes açulam as manifestações primárias?! Por essa razão, a paixão de qualquer natureza deve ser motivo de disciplina pelo homem de bem. Nem a indiferença ante a aflição do próximo, nem a exacerbação pelo sofrimento injusto. Moderação é medida preventiva para os estados que a patologia, nos estudos psicológicos, examina como capítulo básico da degenerescência do homem. Quando rutilarem as morigerantes lições do Cordeiro, na Terra, o ódio e seus sequazes baterão em retirada, dando lugar ao clima de amor por Ele preconizado e vivido até à cruz. (Espírito Victor Hugo - Obra: Párias em Redenção). 

O SABER, QUANDO  É  SABER,  É  O  DEPOSITÁRIO  DO  PODER  DE  DEUS  NA  TERRA.

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