Pintura sobre azulejo - Espanha - Foto iap

NO ANO DE 1870                

 

Nota do compilador: Inserimos este artigo ante a sua importância histórica. Em poucas palavras o autor que na época (1870) ainda estava encarnado na França, brinda-nos com informações úteis e interessantes. Foi em 1870 que Victor Hugo retornou à sua França após 18 anos de exílio.

     1870 é o ano em que o ditador Solano López sofreu a máxima derrocada e viu ruir o sonho da ambição guerreira, após as duas batalhas desastrosas de Peribebuí e Campo Grande, para experimentar em Cerro Corá o último e funesto combate, terminando, assim, a Guerra do Paraguai, para alegria dos brasileiros e demais membros da Tríplice Aliança. É o ano em que Luís Napoleão Bonaparte, o Pequeno ou o Carbonário, deixou-se arrastar, em julho, à lamentável guerra contra a Prússia, sofrendo irremediável derrota e permitindo-se fazer prisioneiro, em Sedan, a 2 de setembro, quando, então, foi destronado, em Paris, dois dias após, sendo eleito Thiers presidente da França, que facultou o retorno à Pátria de todos aqueles que curtiam doloroso exílio, graças à mão indigna do Monarca que traíra a República... Antes disso, alistou-se Guy de Maupassant para defender a Pátria na infeliz guerra franco-prussiana. Simultaneamente, Garibaldi colocou-se a serviço do governo republicano de França e conseguiu ser nomeado Comandante das forças irregulares da Borgonha. Nesse ano, o Barão do Rio Branco rumou, com seu pai, ao derrotado Paraguai, a fim de tratar das relações daquele país com o Brasil, revelando a sua genialidade diplomática. Apareceu no Brasil o primeiro manifesto contra a Monarquia e a favor da República.

     O mundo despertava: Alexandre Gavazzi, na Itália, assumiu a direção da Igreja Livre, unindo todas as diversas facções litigantes da União das Igrejas Livres da Itália. A infalibilidade papal foi debatida duramente, após Carlos Emílio Freppel haver preparado o Concílio Vaticano I (1869) e cujos serviços lhe renderam o prêmio de ser nomeado Bispo de Angers. A Bahia recebeu, emocionada, o poeta Castro Alves, amputado do pé direito, tuberculoso, que publicou então, ali, o clássico “Espumas Flutuantes”. Haeckel apresentou a monografia “Monera”, enquanto Taine publicava a sua obra capital de filosofia: “Da Inteligência”. Metchnikov tornava-se professor de Zoologia e Anatomia Comparada, em Odessa, e os cirurgiões mais distintos, acompanhando a pista dos nervos aferentes e eferentes, localizavam, em definitivo, no cérebro, a sede dos cincos sentidos, pondo termo a longa e inútil contenda científica.     

     Publicou-se o célebre Código Italiano, que serviu de modelo para muitos outros no mundo, inclusive do Brasil, e Guilherme Gladstone conseguiu, na qualidade de primeiro-ministro da Inglaterra, uma lei ser aprovada contra a opressão sofrida pelos lavradores arrendatários...    

     E muitos outros acontecimentos tumultuavam o mundo, subitamente convocado à revolução tecnológica, que se iniciava ao impacto das ideias revolucionárias da Ciência, à pesquisa psíquica, que surgia nos maiores centros de cultura, e enquanto o homem sonhava com o saber e perseguia a felicidade...

     Era Presidente da Província de São Paulo, Antônio da Costa Pinto e Silva e a Capital contava 31.000 habitantes, aproximadamente. (Espírito Victor Hugo – Obra: Párias em Redenção – Médium: Divaldo P. Franco).

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