Enterro de Victor Hugo - Foto www.wikipedia.org/

Dresden - Foto iap     

EXÉQUIAS DE VICTOR HUGO

     Durante nove dias o povo parisiense velou o corpo embalsamado do maior gênio literário do século XIX, tendo desfilado diante de seu caixão humilde mais de um milhão de pessoas. A 1º de junho,1 pelo alvorecer, o esquife foi transferido para o Arco do Triunfo, em Paris, de onde saiu para ser exumado no Panteão, o monumento fúnebre dos heróis nacionais. Dois milhões de admiradores compuseram o cortejo, cuja ordem foi mantida pela mobilização de dez mil soldados.

     Outros números também impressionam: participaram do enterro delegações de 141 municipalidades, 155 círculos políticos, 200 sociedades de socorros mútuos e previdência, 141 câmaras sindicais, 61 sociedades de livre pensamento, 43 associações militares, 122 escolas, 38 organismos estrangeiros, 161 sociedades artísticas, mais o corpo diplomático da França.

     O Cardeal Arcebispo de Paris, durante a agonia de Victor Hugo, tentou ministrar-lhe os sacramentos, no que foi veementemente repelido por Edouard Lockroy, amigo do poeta. Este fato não deve espantar os leitores, pois não é costume da Igreja converter os grandes homens, quando estes já perderam a consciência durante a agonia da morte?

     Victor Hugo, prevendo que seria vítima da Igreja, dois anos antes deixou por escrito suas últimas vontades, e fez muito bem, caso contrário o clero proclamaria, triunfante, que Victor Hugo abominara o Espiritismo em prol do Catolicismo, momentos antes de deixar esta vida...

     Diante do enterro apoteótico, de certo modo ofensivo à Igreja, pois Victor Hugo não era católico, só restava ao clero tomar uma atitude: excomungar o poeta, e taxá-lo de herege. Mas isso só serviu para aumentar a glória de Victor Hugo e propagar, em todo o mundo, o Espiritismo, doutrina que ele tanto amava e da qual se fizera um apóstolo fervoroso, durante trinta anos.

     Nesse sentido, o Espiritismo muito deve a Victor Hugo! Aliás, é preciso que se defina a posição de Victor Hugo na história do Espiritismo; foi ele o grande divulgador da Doutrina dos Espíritos (talvez o que mais atraiu curiosos para o Espiritismo, graças à luminosidade intensa de seu nome). Ainda mais, na história do Espiritismo, o nome de Victor Hugo ficará como um dos que abriram caminho para a entrada gloriosa de Allan Kardec. Ficará, pois, como um dos pioneiros do Espiritismo em nosso planeta. 

(Eduardo C. Monteiro - Obra: Victor Hugo e seus Fantasmas).

1 - Victor Hugo morreu em 22 de maio de 1885

TUDO  SE  MOVE,  SE  LEVANTA,  SE  ESFORÇA,  GRAVITA,  SE  ALÇA,  REENCARNA  E  VIVE.  NADA  FOI  CRIADO  PARA  VIVER  NA  OBSCURIDADE  RECEOSA.

                                                                                                                                         PRÓXIMO                                                                                        INÍCIO

Edouard Lockroy