Papoulas - Foto iap

AMBIÇÃO DA POSSE                             

     Examinemos a juventude atual. Eis aí os moços. Todas as oportunidades à disposição. Técnicas de comunicação vitoriosas, conhecimentos que transbordam, comodidades que se multiplicam, e, no entanto, não falta, entre eles, quem marche pelos terrenos da anticultura, afundando nos sonhos da alucinação tóxica, em que se entorpecem sentimentos e ideais, na imprevidência dolorosa. De aparência bela, são frequentemente estetas na forma e primários no sentimento. Alguns constituem biótipos de beleza física, que fazem inveja à estatuária de Fídias, de Praxíteles... Todavia, não passam, às vezes, de espíritos primitivos, recomeçando a jornada em boa indumentária, que despedaçam a golpes de loucura e desesperação.

     Informaram-me os Amigos Espirituais que certo número deles é constituído pelos antigos conquistadores que invadiram a Europa, sob o comando de Átila, Alarico, Gengis Khan, Tamerlão e outros, demoradamente retidos em regiões próprias, do Mundo Espiritual Inferior, de modo a não perturbarem o progresso do Globo em tempos passados, mas que agora foram liberados à reencarnação, para terem ensejo de evoluir e, também, a fim de que as suas dores e as suas truculências nos sirvam de advertências salutares para o próprio aprimoramento. Dizem que detestam a Civilização, a “sociedade de consumo”, e desejam retornar à caverna, à Natureza, à comunidade tribal - donde, sem dúvida, vieram, e cujas impressões estão fortemente sulcadas nos refolhos da memória anterior. Suas necessidades se reduzem a rudimentos de beleza primitiva e imediatismo sexual, a que chamam amor, quando não passam de impulsos instintivos, nem sempre procriativos e por vezes aberrantes...

     Ocorreu a Bizâncio do século IV, que a Arte abandonou o classicismo das formas e transitou do expressionismo ao impressionismo, ao abstracionismo, ao primitivo, e a Humanidade, logo depois, penetrou na hedionda “noite medieval”... Tem-se a impressão de  que  se  repetem hoje experiências equivalentes... O homem, que é o maior investimento da Criação, se encontra relegado a plano secundário, no momento dos robôs e dos sonhos de biólogos e eugenistas fascinados por si mesmos, que se atribuem poderes divinos e não passam de homens atormentados interiormente. Isto acontece porque esqueceram de Deus, esquecemos todos nós, ou quase todos, dos deveres cristianíssimos, que foram transferidos, por processos da acomodação religiosa, e solapados por falsas convenções sociais. Nesse sentido, como em outros, o Espiritismo tem a sua mais grandiosa missão histórica, conforme previu Allan Kardec: a de transformar o homem, modificar o mundo!

     O homem, superconfortado, é profundamente infeliz. Por toda parte, a ambição da posse estruge em guerras, tão cruéis quanto insensatas. No entanto, a guerra de extermínio total, com que se ameaça o aniquilamento da Humanidade, tem origem na guerra constante que cada um trava no país de si mesmo. Intoxicado pelos vapores da ira e vencido pelo estimulante do ódio, o indivíduo se desintegra, de dentro para fora, sob o impacto da violência que acalenta, arregimentando forças negativas a que se escraviza mesmo após o decesso celular.

     Muitos governantes do mundo pregam a paz, produzindo experiências de alto teor destrutivo, e não obstante a miséria que se espalha por toda parte, não raro se apresentam gargalhantes, como se não lhes coubesse, por isso, nenhuma responsabilidade, exatamente quando se multiplicam, de modo alarmante, os campos de trabalho forçado e a escravidão de muitos matizes, atingindo cifras jamais igualadas.

     As aberrações morais adquirem cidadania e jactam-se de modernismo, enquanto os valores éticos envelhecem, passando a filigranas de museus. Ora, simultaneamente, também, os Sublimes Construtores da Harmonia trazem à reencarnação antigos poetas e artistas, sábios e pensadores, sensitivos e pesquisadores de ontem, que ofereceram o melhor dos seus mais valiosos esforços aos ideais de sublimação da vida e do mundo, para que mergulhem no vestuário físico e implantem, com altas expressões de renúncia e sacrifício, os pilotis do Mundo Novo de Amanhã, de que o Espiritismo se faz Mensageiro, Anunciador. Aí também, estão na condição de anjos encarcerados, prontos a distender as asas de luz, irisando os céus do espírito humano com as mensagens rutilantes da beleza, do conhecimento enobrecido, da justiça e da caridade, opondo sublime resposta aos atuais destruidores. Ocorre que, antes da Era Nova, se faz indispensável que os demolidores passem, com os seus carros de horror, destruindo as construções nefandas da ignorância que teima por sobreviver, e atinjam o clímax dos ultrajes, de modo a constrangerem todos à busca do que ficou na retaguarda, em grandeza moral e elevação espiritual. Já se ouvem, aliás, os clarins renovadores. Ao lado da anarquia e do vandalismo, constroem-se os edifícios da esperança, da solidariedade e do amor, e o ar se impregna de melodias salutares, revivendo o classicismo, ou elaborando, através de pesquisas honestas, nas múltiplas manifestações da Arte, as novas expressões do sentimento e da cultura, que nortearão as exteriorizações humanas porvindouras.  (Espírito Victor Hugo - Médium:  Divaldo P. Franco - Obra: Sublime Expiação).                                        INÍCIO

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