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A GRANDE NOITE

        Adensa-se a sombra da ignorância nas paisagens mentais e morais da criatura humana, gerando perturbações que tumultuam o organismo social e conspiram contra as inegáveis conquistas da cultura, da ética e da civilização.

     Neste momento em que a arbitrariedade e as aberrações se expressam de forma espontânea, sendo aceitas socialmente sem qualquer escrúpulo; quando a promiscuidade aturde e a agressão às Instituições adquire cidadania, conspirando contra as edificações éticas do sentimento e da razão; ante os quadros desoladores quão chocantes da fé religiosa competindo publicamente com a vulgaridade nos campeonatos da insensatez e das paixões primárias; face ao predomínio da força econômica desencadeadora da corrupção que gera cruel escassez de recursos para centenas de milhões de vidas; diante da impunidade em relação aos diversos crimes que são praticados contra o cidadão e a comunidade por personalidades detentoras de destaque e poder;  enquanto a violência sob todos os aspectos considerada se faz o cotidiano dos indivíduos, não restam quaisquer dúvidas quanto à predominância da grande noite na Humanidade hodierna.

     O homo tecnologicus destes dias parece insensibilizado em relação aos requisitos básicos do ser social que é, cujas realizações externas não podem anular as elevadas aspirações do nobre, do justo e do saudável moral, que lhe são impositivos inalienáveis do processo evolutivo, e já foram conquistadas, mas que as está desperdiçando...

     A sua inesperada aventura no macrocosmo, ao invés de fazê-lo reconhecer a fragilidade e pequenez de resistência ante a grandeza do Universo, torna-o arrogante e, atônito, anestesia-lhe a capacidade de amar, a fim de fugir do dever de auxiliar o próximo e o respeitar.

     A penetração nas micropartículas, ao inverso de despertar-lhe o entusiasmo ante a harmonia que vibra em tudo, encoraja-o a tentativas extravagantes, para as quais pretende utilizar a engenharia genética, distante da consideração pelos seres em geral e humano em particular, esquecendo-se das extraordinárias diretrizes da bioética.

     Ao apresentar, no passado, a sua teoria a respeito do surgimento do sistema solar, quando foi interrogado pelo imperador Napoleão Bonaparte que lera a sua Obra de mais de seiscentas páginas e nela não encontrara qualquer referência a Deus, teria respondido Laplace, arrogante quão mesquinho, que não teve necessidade dessa hipótese...

     Pouco mais de cento e oitenta anos depois, na grande noite que predomina em muitas consciências, diversos investigadores e cientistas prosseguem aferrados à mesma lamentável presunção.

     A gigantesca sombra em predomínio, que estarrece os lidadores da consciência integral, a qual oferece os instrumentos hábeis para a construção do ser espiritual, vai alcançando o seu clímax em ameaças vãs de extinção dos valores dignificadores da Humanidade, provocando lutas hediondas e aniquilamentos de vidas e de ecossistemas, enquanto a alucinação se espraia em onda colossal pelos quadrantes do Globo.

     Inevitavelmente surgirá a alva de uma Nova Era.

     Passados os momentos máximos, as tendências são a queda, o escoamento, a diluição da treva ante o sol radioso da Vida indestrutível, que a tudo comanda e vitaliza.

     Já rompem nos carregados véus de sombras os primeiros raios de esperança e, em vagidos débeis, os cancioneiros de amanhã repontam nos mais diversos lugares da Terra, preparando-se para a sinfonia gloriosa do porvir...

     Arrebatados pelas sensações grotescas, aqueles que se envenenam nos tóxicos que evolam dos vulcões morais em erupção dantesca, cederão lugar aos Espíritos em luz que serão conduzidos pelas brisas leves do próximo amanhecer...

     Em transição, a Terra e a Humanidade avançam a duras penas para o objetivo estabelecido pelo Criador, que é acompanhar a marcha do progresso e das conquistas do pensamento universal.

     A grande noite então se salpicará de estrelas luminíferas, recamando-se de claridades diamantinas até o total amanhecer em triunfo.

     Aguardai, confiantes!

(Espírito Victor Hugo (24/2/1999) - Médium: Divaldo Franco - Obra: Luzes do alvorecer).                                                      INÍCIO

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