Fotos Wikipedia.org

 

Rabindranath Tagore: poeta, filósofo, pintor, compositor musical indiano. Recebeu o prêmio Nobel de literatura de 1913. Tem nos brindado com várias obras recebidas por Divaldo Pereira Franco. Aqui o vemos com Albert Einstein e Gandhi

 

 

...E A PAZ CHEGOU

 

 

 

     O carro da guerra passou esmagador em desvario, deixando as marcas inapagáveis da desolação e da morte em toda parte. Uma nuvem de sofrimento cobriu o sol da esperança, enquanto as vozes em desespero misturavam-se ao murmúrio aflitivo das litanias.

 

     A aldeia era uma pequena clareira na floresta do mundo ambicioso e temporal.

     Os seus moradores nada sabiam da política perversa dos estranhos dominadores dos seus destinos.

     A poeira que descia sobre as carnes trêmulas dos vencidos transformava-se em lama ensanguentada.

 

     As crianças esmagadas não tiveram tempo de fugir, nem os seus pais atônitos de poder salvá-las ou salvar-se, e nem mesmo as virgens que se refugiaram no templo o conseguiram. Somente dominava o crime com o terror que vencia tudo e todos.

 

     Na turbulência alucinada pelo desespero, alguém arrancou a música aprisionada na garganta e suplicou em angústia por socorro e misericórdia:

     - Oh! Doce amor dos desgraçados!

 

     “Desce a Tua ternura até nós e recolhe as nossas aflições na concha sublime das Tuas luminosas mãos. “Faze suavizar o peso em nossos ombros carregados de opróbrio e de humilhação com o bálsamo das doces esperanças da imortalidade.

 

     “Toma nossas infinitas aflições e transforma-as em sorrisos como flores de incomparável delicadeza, ornando a Terra infeliz onde jazemos semimortos, de forma que se transforme num jardim de bênçãos para o futuro.”

E silenciou, arquejante.

 

     Somente se ouviam entre os gemidos, as onomatopeias da Natureza compadecida.

Krishna escutou-a e enfrentou Indra, o invejoso e temerário, que fugiu envergonhado para além das nuvens dos céus, permitindo que flechas de luz descessem sobre a aldeia vencida e triste, vestindo-a de claridade.

 

     A partir daquele momento todas as dores da Terra foram-se transformando em rosais e festões de primavera eterna, a fim de que um Rei, que é o maior de todos os reis, um deus que supera todos os outros deuses, aplacasse a crueldade onde surgisse e uma doce esperança nunca abandonasse aqueles que amam e confiam, deixando de ser desventurados.

 

     O monstro da guerra, surpreendido, tentou fugir, ressurgindo, aqui e ali, todavia, a partir de então, a aldeia dos corações humanos ficou em harmonia, instalando-se um reino diferente que nunca mais desaparecerá do mundo.

 

     Esse Rei Triunfante, deu a sua vida por todas as vidas, e o seu canto de perdão elevou a humanidade aos Cimos anelados, superando reinos e principados, por estender-se para sempre no infinito da imortalidade.

 

     Ei-Lo novamente cantando o sermão da paz e da renovação da vida, quando parecia estar esquecido! 

 

Rabindranath Tagore 

 

(Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, na manhã de 02 de agosto de 2013, durante o 5º Congresso Espírita de Mato Grosso, em Cuiabá, MT).